CNTA participa de audiência pública
no Senado sobre a gripe aviária
O presidente da CNTA, Artur Bueno de Camargo, participou nesta segunda-feira (17), de Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), destinada a avaliar os impactos sociais e econômicos da gripe aviária no país. O debate foi proposto pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que também coordenou os trabalhos.
Artur apresentou um relato da situação desde que eclodiu a crise da gripe aviária e cobrou medidas governamentais para evitar que as demissões que já atingiram milhares de trabalhadores continuem representando uma ameaça para eles, e fez um paralelo com a situação que se criou no setor de carnes desde o surgimento do novo foco da febre aftosa.
Todos os líderes sindicais que representam trabalhadores do setor de produção de frango cobraram do governo, além de medidas consistentes para a prevenção da gripe aviária, ações de marketing para estimular o consumo do produto. O objetivo é minimizar a crise decorrente da retração das vendas do produto brasileiro no mercado internacional, verificada após a eclosão da virose em países orientais e europeus.
Artur Bueno de Camargo sugeriu uma grande campanha publicitária no exterior, estrelada por jogadores da seleção brasileira de futebol e outras personalidades com visibilidade internacional, em que essas pessoas apareçam como consumidores do frango brasileiro.
- Iniciativas como essa precisam ser cobradas do governo para que as exportações alcancem um patamar mais importante - defendeu.
Camargo disse que o fato do Governo liberar recursos para o setor, sem amarrar, a garantia de emprego, como ocorreu no episódio da febre aftosa, que muitos trabalhadores continuam ainda desempregados, somente os trabalhadores são prejudicados.
O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA-RS), Darci Rocha, reforçou o apelo em favor das campanhas de incentivo ao consumo. Porém, sugeriu que o foco seja o mercado interno, como forma de compensar a retração das vendas no exterior.
Os presidentes das Federações dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Mato Grosso (FTIA/MT) e do Paraná (FTIA/PR), Sidney Amorim e Hernani Garcia Ferreira, respectivamente, também reivindicaram durante o debate medidas de proteção para os trabalhadores.
O senador Paulo Paim, que também é vice-presidente da CDH, salientou que, a despeito de não ter ocorrido casos da doença no Brasil,no campo econômico e social seus reflexos são cruéis. Ele assumiu o compromisso de defender junto ao governo a inclusão de representantes dos trabalhadores na comissão interministerial que realiza estudos para prevenir a doença e reduzir seus impactos no país.
- O Senado fará parte do esforço conjunto para que os trabalhadores não sejam os únicos punidos pela crise - acenou.
Para o consultor do Senado José Pinto, a crise pode justificar uma legislação provisória para flexibilizar o acesso dos trabalhadores do setor ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS), Paulo Pimentel, manifestou a preocupação da entidade com o impacto que um possível surto da gripe aviária sobre os trabalhadores da área e defendeu a mobilização da categoria para antecipar-se aos fatos.
O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) disse ter ficado "estarrecido" com as informações trazidas à audiência pelos sindicalistas sobre a crise, em que as estratégias defensivas adotadas pelas empresas atingem duramente os trabalhadores, com crescente desemprego. Lamentou que as relações no mundo do trabalho ainda permaneçam em patamar tão atrasado e apontou a coincidência de os fatos estarem acontecendo no momento em que o Brasil é governado por um trabalhador.